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PoetósferaLa BibliotecaRaimundo António de Bulhão Pato

Raimundo António de Bulhão Pato · Modernismo

A M.me Lotti

portugués

Na noite em que cedeu o producto do seu beneficio a favor de um asylo
de infancia desvallida.

Canta oh! canta alma inspirada,
Que jámais na tua vida
Tiveste a fronte cingida
Dos loiros que hoje vais ter.
Canta: os prantos da orfandade,
Á tua voz seductora,
Se vão convertendo agora
Em sorrisos de prazer!

Oh! jámais em teus triumphos
Quando erguendo o rosto altivo,
A teus pés tinhas captivo
O poder da multidão,
Jámais sentiste no peito
Entre o rumor delirante,
Batter, como neste instante,
De enthusiasmo o coração!

Cada nota que desprendas
Terá um eco no empyreo,
Por que as palmas do martyrio
Em rosas vais transformar.
Oh! bem haja a Providencia
Que na tua voz divina
Poz a graça que fascina,
E o condão de consolar!

Quando no giro brilhante
Da tua crescente gloria,
Te venha um dia á memoria
Esta noite triumphal,
Pára, escuta, e docemente
Sentirás no teu ouvido,
Um murmurio agradecido
De ternura filial.

São elles os desherdados,
Os que já sem lar paterno
Erguem preces ao Eterno,
E bençãos por teu amor;
São elles a quem um dia
Com teu inspirado canto
Tornaste em sorriso o pranto,
Em pura alegria a dor!

1860.

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Expediente

Autor
Raimundo António de Bulhão Pato
Título
A M.me Lotti
Lengua
portugués
Época
Modernismo
Sala
La Biblioteca
Identificador
ws-pt-a-m-me-lotti--raimundo-antonio-de-bulhao-p-c65b2d
Cita recomendada
Raimundo António de Bulhão Pato, «A M.me Lotti», Poetósfera, poetosfera.com/p/ws-pt-a-m-me-lotti--raimundo-antonio-de-bulhao-p-c65b2d.html

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