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António Feijó · Modernismo

A cidade do sonho

portugués

Soffres e choras? Vem commigo! Vou mostrar-te
O caminho que leva á Cidade do Sonho...
De tão alta que está, vê-se de toda a parte,
Mas o ingreme trajecto é florido e risonho.

Vae por entre rosaes, sinuoso e macio,
Como o caminho chão d'uma aldeia ao luar,
Todo branco a luzir numa noite de estio,
Sob o intenso clamor dos ralos a cantar.

Se o teu animo soffre amarguras na vida,
Deves emprehender essa jornada louca;
O Sonho é para nós a Terra Promettida:
Em beijos o maná chove na nossa boca...

Vistos d'essa eminencia, o mundo e as suas sombras,
Tingem-se no esplendor d'um perpetuo arrebol;
O mais esteril chão tapeta-se de alfombras,
Não ha nuvens no ceu, nunca se põe o sol.

Nella mora encantada a Ventura perfeita
Que no mundo jámais nos é dado sentir...
E a um beijo só colhido em seus lábios de Eleita,
A propria Dor começa a cantar e a sorrir!

Que importa o despertar? Esse instante divino
Como recordação indelevel persiste;
E neste amargo exílio, através do destino,
Ventura sem pesar só na memória existe...

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Por su autor
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Autor
António Feijó
Título
A cidade do sonho
Lengua
portugués
Época
Modernismo
Sala
La Biblioteca
Identificador
ws-pt-a-cidade-do-sonho--antonio-feijo-5b4359
Cita recomendada
António Feijó, «A cidade do sonho», Poetósfera, poetosfera.com/p/ws-pt-a-cidade-do-sonho--antonio-feijo-5b4359.html

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