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PoetósferaLa BibliotecaGregório de Matos

Gregório de Matos · Barroco

Á bento Pereira — Romance

portugués

Amigo Bento Pereira,
Que em todo o nosso Brazil
Sois homem de muitas prendas,
Tendo tão pouco quatrim.
Assim agradára eu
A quatro villões ruins,
A quem nesta terra enfado,
Como me agradais a mim.
Vós sois um homem honrado
De generosa raiz,
Nobre com ventosidade,
Honrado com retintins.
Sois galan com artificio,
Aceiado com ardil,
Só vós sois homem honrado,
Os de mais homens gentis.
Todo o mundo vos quer bem,
Porque tendes, e é assim,
Cara de ter mil amigos.
Mil amigos? mais de mil.
Sois muito leal com todos,
Cousa que não se usa aqui,
Por isso sois mal servido
De quantos sabem servir.
Empeçou-vos a fortuna,
Que a fortuna é villão ruim,
Para os seus sempre a chegar-se,
E de vós sempre a fugir.
Agradais-me dentro d’alma,
Que como eu tambem cahi,
E os similhantes se amam,
Por similhante vos quiz.
Tende-me em conta de amigo,
E tereis sempre de mim
Excessos de par em par,
Finezas de mil em mil.

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Dónde vive
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Autor
Gregório de Matos
Título
Á bento Pereira — Romance
Lengua
portugués
Época
Barroco
Sala
La Biblioteca
Identificador
ws-pt-a-bento-pereira-romance--gregorio-de-matos-b8022b
Cita recomendada
Gregório de Matos, «Á bento Pereira — Romance», Poetósfera, poetosfera.com/p/ws-pt-a-bento-pereira-romance--gregorio-de-matos-b8022b.html

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