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Aureliano Lessa · Romanticismo

A minha estrêlla

portugués

Por entre as trévas da noite,

Que cercam minha existencia,

Brilha um astro de innocencia,

Que é minha estrêlla polar;

Nos abysmos de minh’alma

Só ella póde brilhar.

O clarão frouxo da lua

Já desmaia no horizonte,

E o della na minha fronte

Inda não veio pousar:

Ide, ó sons de minha lyra,

Em tôrno della adejar.

Vem, ó flôr do ethereo prado,

Vem, meu anjo, sem receio,

Entornar dentro em meu seio

Teus perfumes, teu olhar:

Por tua alma innocentinha

Minha alma quero trocar.

Mas olha que a noite é negra,

São frios do inverno os gelos;

Eu já sinto em meus cabellos

O sereno a gottejar;

Não erram no céo estrêllas,

Nem ousa o mocho piar.

No meio deste silencio

Ouço o sussurro da fonte,

Que vem descendo do monte

Com sonoro crepitar:

Eu ajunto ás vozes della

O echo do meu cantar.

Mas talvez que adormecida,

Recostada em teu postigo,

Sonhando, virgem, commigo,

Vão meus cantos te acordar…

Adeus, ó virgem, que o Bardo

Não quer teus sonhos turbar.

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Por su autor
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Dónde vive
La Biblioteca

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Expediente

Autor
Aureliano Lessa
Título
A minha estrêlla
Lengua
portugués
Época
Romanticismo
Sala
La Biblioteca
Identificador
ws-pt-a-minha-estrella--aureliano-lessa-aaaa0c
Cita recomendada
Aureliano Lessa, «A minha estrêlla», Poetósfera, poetosfera.com/p/ws-pt-a-minha-estrella--aureliano-lessa-aaaa0c.html

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