CADA PIEZA VIVE EN UNA DIRECCIÓN · NADA VIVE EN UNA SOLA SALA  

PoetósferaLa BibliotecaVicente de Carvalho

Vicente de Carvalho · Vanguardias / s. XX

Ultima confidencia

portugués

— E si acaso voltar ? Que hei de dizer-lhe, quando

Me perguntar por ti?

— Dize-lhe que me viste, uma tarde, chorando ...

Nessa tarde parti.

— Si arrependido e ancioso elle indagar: «Para onde?

Por onde a buscarei?»

— Dize-lhe : « Para além... para longe...» Responde

Como eu mesma: «Não sei.»

Ai, é tão vasta a noite! A meia luz do occaso

Desmaia... Anoiteceu...

Onde vou? Nem eu sei... Irei seguindo ao acaso

Até achar o céu.

Eu cheguei a suppôr que possivel me fosse

Ser amada — e viver.

E’ tão facil a morte... Ai, seria tão doce

Ser amada... e morrer!...

Ouve: conta-lhe tu que eu chorava, partindo,

As lagrimas que vês...

Só conheci do amor que imaginei tão lindo,

O mal que elle me fez.

Narra-lhe transe a transe a dor que me consome...

Nem houve nunca egual!

Conta-lhe que eu morri murmurando o seu nome

No soluço final!

Dize-lhe que o seu nome ensanguentava a bocca

Que o seu beijo não quiz:

Golpha-me em sangue, vês? E eu, murmurando-o, louca!

Sinto-me tão feliz!

Nada lhe contes, não... Poupa-o... Eu quasi o odeio,

Occulta-lh’o! Senhor,

Eu morro!... Amava-o tanto... Amei-o sempre... Amei-o

Até morrer... de amor.

Sigue explorando

Por su autor
Vicente de Carvalho · 11 piezas más en la casa
Dónde vive
La Biblioteca

← Rosa, rosa de amor (1902) — Serenata

Expediente

Autor
Vicente de Carvalho
Título
Ultima confidencia
Lengua
portugués
Época
Vanguardias / s. XX
Sala
La Biblioteca
Identificador
ws-pt-ultima-confidencia--vicente-de-carvalho-4cc47a
Cita recomendada
Vicente de Carvalho, «Ultima confidencia», Poetósfera, poetosfera.com/p/ws-pt-ultima-confidencia--vicente-de-carvalho-4cc47a.html

Las obras de dominio público se reproducen íntegras, con atribución y en la ortografía de su impreso. ¿Ves una errata o conoces una fuente mejor? Escríbenos desde Sobre la casa.