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Antero de Quental · Modernismo

O que diz a morte

portugués

Deixai-os vir a mim, os que lidaram;
Deixai-os vir a mim, os que padecem;
E os que cheios de mágoa e tédio encaram
As próprias obras vãs, de que escarnecem...

Em mim, os Sofrimentos que não saram,
Paixão, Dúvida e Mal, se desvanecem.
As torrentes da Dor, que nunca param,
Como num mar, em mim desaparecem. -

Assim a Morte diz. Verbo velado,
Silencioso intérprete sagrado
Das cousas invisíveis, muda e fria,

É, na sua mudez, mais retumbante
Que o clamoroso mar; mais rutilante,
Na sua noite, do que a luz do dia.

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Dónde vive
La Biblioteca

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Autor
Antero de Quental
Título
O que diz a morte
Lengua
portugués
Época
Modernismo
Sala
La Biblioteca
Identificador
ws-pt-o-que-diz-a-morte--antero-de-quental-e152be
Cita recomendada
Antero de Quental, «O que diz a morte», Poetósfera, poetosfera.com/p/ws-pt-o-que-diz-a-morte--antero-de-quental-e152be.html

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