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Pedro Kilkerry · Modernismo

O Muro

portugués

Movendo os pés doirados, lentamente,
Horas brancas lá vão, de amor e rosas
As impalpáveis formas, no ar, cheirosas.. . .
Sombras, sombras que são da alma doente!

E eu, magro, espio... e um muro, magro, em frente
Abrindo á tarde as órbitas musgosas
— Vazias? Menos do que misteriosas —
Pestaneja, estremece. . . O muro sente!

E que cheiro que sai dos nervos dele,
Embora o caio roído, cor de brasa,
E lhe doa talvez aquela pele!

Mas um prazer ao sofrimento casa. . .
Pois o ramo em que o vento á dor lhe impele
É onde a volúpia está de urna asa e outra asa. . .

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Autor
Pedro Kilkerry
Título
O Muro
Lengua
portugués
Época
Modernismo
Sala
La Biblioteca
Identificador
ws-pt-o-muro--pedro-kilkerry-85fcd5
Cita recomendada
Pedro Kilkerry, «O Muro», Poetósfera, poetosfera.com/p/ws-pt-o-muro--pedro-kilkerry-85fcd5.html

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