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Guilherme de Azevedo · Modernismo

Ó lirios da cidade, ó corações doentes

portugués

Ó lirios da cidade, ó corações doentes
Das vagas affecções modernas e galantes;
Eu sei que vós morreis aos sons agonisantes
Das orchestras febris,—nos sonhos dissolventes!

Sois os fructos gentis que balançaes pendentes
Nas arvores da vida; e os pobres viajantes
Famintos d'ideal, sorriem triumphantes
Julgando-vos colher nas seivas innocentes!

E tragam com fervor o pomo apetecido
Que deve ter um mel oculto no tecido,
—Um raio bom do sol que nos sorri tão alto;

Mas vós que sois da moda um luminozo aborto,
Como os fructos crueis das margens do mar morto
Apenas conteis dentro uma porção d'asphalto!

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Dónde vive
La Biblioteca

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Expediente

Autor
Guilherme de Azevedo
Título
Ó lirios da cidade, ó corações doentes
Lengua
portugués
Época
Modernismo
Sala
La Biblioteca
Identificador
ws-pt-o-lirios-da-cidade-o-coracoes-doentes--guilherme-de-azevedo-5a4b31
Cita recomendada
Guilherme de Azevedo, «Ó lirios da cidade, ó corações doentes», Poetósfera, poetosfera.com/p/ws-pt-o-lirios-da-cidade-o-coracoes-doentes--guilherme-de-azevedo-5a4b31.html

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