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Aureliano Lessa · Romanticismo

No tumulo de um infante

portugués

Estrêlla d’alva ao despontar da aurora,

Cêdo tombei nos mares do occidente;

Despi da vida a tunica innocente,

Contando apenas de existencia uma hora.

Regou meu pranto o maternal regaço,

De um berço a orla foi meu horizonte:

Banhei as azas na sagrada fonte,

Leve remonto-me ao celeste espaço.

Eu vou depôr nas mãos de um Pai mais terno

Da innocencia o angelico thesouro;

E terei por berço uma nuvem d’ouro,

Uma aurora melhor, um sól mais puro.

A li deitado ao pés da Divindade

Trocam-se em luz, da morte os vãos horrôres;

Ai! a vida é um berço de mil dôres,

A campa o berço é da eternidade!

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La Biblioteca

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Autor
Aureliano Lessa
Título
No tumulo de um infante
Lengua
portugués
Época
Romanticismo
Sala
La Biblioteca
Identificador
ws-pt-no-tumulo-de-um-infante--aureliano-lessa-cf646b
Cita recomendada
Aureliano Lessa, «No tumulo de um infante», Poetósfera, poetosfera.com/p/ws-pt-no-tumulo-de-um-infante--aureliano-lessa-cf646b.html

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