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PoetósferaLa BibliotecaAlexandre José de Melo Morais Filho

Alexandre José de Melo Morais Filho · Modernismo

M. M. F. Poe. 7

portugués

Travesso menino,

Do fundo das águas

Que em flocos se ameigam dos juncos ao pé,

A’s vezes s’escuta na gueixa do rio

Um canto macio.

De quem.... não se vê.

O canto se estende ; mais doce que as moitas

Que dormem silentes ás luzes do céo.

Se acaso o barqueiro que vai na jangada

Lhe escuta a toada,

Meu Deos, se perdeu !

Travesso menino,

Não sabes ainda ?

Alli as Uyáras se occultam reveis...

São ellas as moças que vivem cantando,

Crianças roubando,

São moças cruéis!

São alvas, mais alvas que o dente das antas,

Mais louras que a pelle das onças... são bellas!

Se alguém as descobre na molle corrente,

Lá some-se a gente,

Lá somem-se ellas!

Nas noites de lua resvalam fugaces,

Quaes nevoas douradas, nas águas azues !

E ao collo suspenso nas ondas bem mansas

Enroscam-se as trancas

Quaes serpes de luz.

E ellas entoam cantigas tão meigas

Que o echo dos valles acorda veloz ..

Mas foge, menino, de ouvires das fadas

Gentis, encantadas,

Um hymno, uma voz!

—« Eu tenho aqui mil palácios

Todos feitos de coraes,

Seus tectos são mais formosos

Que a coma dos palmeiraes.

Infante que vais no monte,

Deixa o teu pouso d′além ;

Eu sei historias bonitas...

Vem!

Quando nas cestas d’espuma

Sigo á tôa até o mar,

As princezas que morreram

Descem na luz do luar...

Jangadeiro que murmuras,

Eu sou princeza tambem;

O rio está na vasante...

Vem!

Minhas escravas são virgens

Loucas, esveltas, morenas;

Tém mais ternura nos olhos

Que orvalho nas açucenas.

Jangadeiro, a noite é fria,

Tem máo assombro o sertão;

Minhas escravas são lindas...

São!

Tenho collares de per’las,

Harpas d’ouro em que descanto;

Governo a luz das estrellas,

Pára o luar ao meu canto.

Infante, a choça é deserta,

Ninguem te espera lá não:

Minhas historias são bellas...

São ! »

E assim ellas levam ás grutas sombrias,

A’s grutas medonhas dos rios, do mar,

Aquelles que ouviram seus cantos á noite.

Distantes do fogo querido do lar.

Ouviste, menino ?—Não corras do rancho,

Que alli as Uyáras se occultam reveis;

São ellas as moças que vivem cantando

Crianças roubando,

São moças crueis!

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Por su autor
Alexandre José de Melo Morais Filho · 2 piezas más en la casa
Dónde vive
La Biblioteca

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Expediente

Autor
Alexandre José de Melo Morais Filho
Título
M. M. F. Poe. 7
Lengua
portugués
Época
Modernismo
Sala
La Biblioteca
Identificador
ws-pt-m-m-f-poe-7--alexandre-jose-de-melo-morai-d6cdc0
Cita recomendada
Alexandre José de Melo Morais Filho, «M. M. F. Poe. 7», Poetósfera, poetosfera.com/p/ws-pt-m-m-f-poe-7--alexandre-jose-de-melo-morai-d6cdc0.html

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