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PoetósferaLa BibliotecaAlexandre José de Melo Morais Filho

Alexandre José de Melo Morais Filho · Modernismo

M. M. F. Poe. 1

portugués

Existe n’uma collina,

Pelas margens do Portel,

Um encanto que sorprende

O viajor no batel.

Se ao largo singra uma igára,

Se perto voga a canôa,

O remador se benzendo

Dobra o joelho na proa.

Fundo inysterio!.. Quem póde

Sondar um mysterio... Quem?

Ao alto nem de pensal-o

Chegar inda ousou ninguem.

A cachoeira assombrada,

Que acima rolando medra,

Batendo o corpo no rio

Se agarra de pedra em pedra !

Ha um prestigio! De noite,

Na correnteza fremente,

Da montanha se desdobra

Crespa estrella reflectente.

E’ horrendo esse lampejo

Da phosphorica luzernal

Parece o rio um fantasma

Que errando accende a lanterna.

Desse pico incendiado

Ao fundo da bruma clara,

Não vê-se a chamma que alenta

O facho que o rio aclara.

As aves piam nos ares,

Sobre a vaga que transluz...

E os patos bravos sacodem

Das azas gottas de luz!

Diz o povo que a mãi d’agua

Lá vive nessa cimeira,

N’um palacio d’ouro fino

A’ borda da ribanceira...

E quando o rio se veste

Desse clarão que fascina

E’ que o paço em que ella habita

Todo inteiro se illumina.

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Por su autor
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La Biblioteca

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Expediente

Autor
Alexandre José de Melo Morais Filho
Título
M. M. F. Poe. 1
Lengua
portugués
Época
Modernismo
Sala
La Biblioteca
Identificador
ws-pt-m-m-f-poe-1--alexandre-jose-de-melo-morai-3676fd
Cita recomendada
Alexandre José de Melo Morais Filho, «M. M. F. Poe. 1», Poetósfera, poetosfera.com/p/ws-pt-m-m-f-poe-1--alexandre-jose-de-melo-morai-3676fd.html

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