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Aureliano Lessa · Romanticismo

Desengano (II)

portugués

Vai desmaiando o astro rei do dia

De seu gyro a balisa já roçando

Com a fulgurante cóma, e se extasia

Tão extenso caminho contemplando.

Tambem vão desfolhando-se mirrados

Da minha vida os pallidos momentos,

Atrás os olhos volvo — eil-os passados

Malditos de esperança inda sangrentos.

Palleja a tarde e balsamos vapora

Para descanço ao trabalhoso dia,

Amanhã fulgirá brilhante aurora,

E ha de trazer-me só melancolia.

Quanto prazer a natureza inspira!…

Cantam as aves ao sorrir das flôres,

Mas o meu coração sangra e delira,

Que mais o punge o torturar das dôres.

Meu destino é chorar, viver errando,

Entre campas volvêr ossos quebrados

De sumidos cadaveres — olhando

Da especie humana os omnimosos fados.

Cumpra-se o meu destino! Irei prostrar-me

Junto da Cruz que o cemiterio alteia;

E lá um esqueleto ha de arrastar-me

A’ alguma cova hiante, humida e feia.

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Por su autor
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Dónde vive
La Biblioteca

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Expediente

Autor
Aureliano Lessa
Título
Desengano (II)
Lengua
portugués
Época
Romanticismo
Sala
La Biblioteca
Identificador
ws-pt-desengano-ii--aureliano-lessa-d8b12c
Cita recomendada
Aureliano Lessa, «Desengano (II)», Poetósfera, poetosfera.com/p/ws-pt-desengano-ii--aureliano-lessa-d8b12c.html

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