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PoetósferaLa BibliotecaFrancisco Leite de Bittencourt Sampaio

Francisco Leite de Bittencourt Sampaio · Modernismo

A Somnambula

portugués

Alta noite nas trevas perdida

Branca sombra de um’alma sentida

Aerea caminha… caminha á voar !…

Parece a neblina levada do vento,

Da noite ao relento

Phantasma que a mente costuma sonhar !

Lá corre ligeira…

Talvez feiticeira

Quem sabe si o é?

Mas eil-a cançada, que agora parando,

Medita scismando

Ao longe—de pè !

Das estrellas á luz frouxa, escaça

Mais se eleva e medonha se exalça

Nas trevas a sombra que surge acolá !

Cheguemos ao perto…—Meu Deus que mysterio !

Emblema funereo

De negros pezares acaso será ? !

Ai ! pobre menina !

Gentil peregrina

Desprende o teu véo !

Estatua não falla : seus labios abertos

Murmuram concertos

Dos anjos do céo !

Tem a face sem cor desmaiada,

Meiga rosa talvez desbotada

Em lubricos gozos de immundo prazer !

Dos olhos o lume tão languido, escaço,

Vagueia no espaço

Buscando as estrellas que avista sem vêr !

Coitada ! que vida !

Tão moça perdida

Dos annos na flor !

Oh pallida sombra de virgem serena !

Incauta açucena,

Tu morres de amor ?…

Não responde : nos labios o riso

Da donzella bem mostra que o siso

Perdera-se em norte de orgia infernal !

Um anjo dissereis da graça cahido,

De todo perdido,

Perdido nas trevas chorando o seu mal !

Oh louca amorosa !

Gentil mariposa,

Não fujas de mim !

Eu quero em teus braços a vida de amante

Passar um instante

Beijando-te assim !

Frio vento soprou-lhe os cabellos,

Desprendidos e soltos e bellos,

Quaes harpas celestes dos anjos de Deos !

São notas aereas o canto da briza.

Que assim se deslisa

Nas cordas sonoras, voando p’ra os céos !

Que doce belleza !

Si d’alma a pureza

Não desses de mão,

Serias, ó bella, de Deus invejada,

Dos anjos amada

Com louca paixão !

Não importa ! ha de amar-te minh’alma

Co’este fogo que nunca se acalma

Na tôrva existencia do meu padecer !

Comtigo abraçado no riso e nas dores,

Morrendo de amores

Farei a ventura do nosso viver !

Ai ! tremes, suspiras ?

Amante deliras

De amor que seduz ? !

Oh pallida sombra de virgem perdida !

Procura na vida

Um astro uma luz !

E olhou-me calada chorando,

E convulsa sorriu soluçando,

Que o sangue gelar-se no peito senti !

Ideia de mortos a mente me assalta,

Eis cresce e se axalta…

Até que por teria tremendo cahi !…

Que sina !—dormia

Em noite tão fria

Correndo a sonhar !

Estrella nas trevas tremendo, luzindo,

A pobre sorrindo

Fugiu-me a voar…

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Por su autor
Francisco Leite de Bittencourt Sampaio · 6 piezas más en la casa
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Expediente

Autor
Francisco Leite de Bittencourt Sampaio
Título
A Somnambula
Lengua
portugués
Época
Modernismo
Sala
La Biblioteca
Identificador
ws-pt-a-somnambula--francisco-leite-de-bittencou-62759d
Cita recomendada
Francisco Leite de Bittencourt Sampaio, «A Somnambula», Poetósfera, poetosfera.com/p/ws-pt-a-somnambula--francisco-leite-de-bittencou-62759d.html

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