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Aureliano Lessa · Romanticismo

A’ Diamantina (I)

portugués

Vês lá na encosta do monte

Mi casas em gruposinhos,

Alvas, como cordeirinhos

Que se lavaram na fonte?

Não vês deitado defronte,

Qual dragão petrificado,

Aquelle sêrro curvado

Que mura a cidadesinha?

Pois essa cidade é minha,

E’ meu berço idolatrado.

Ali, meus olhos se abriram

A’ luz matinal da vida;

Lá, primeiro á mãi querida

Meus labios de amôr sorriram;

Lá, seu nome proferiram

Antes do nome de Deus;

Lá, tentei os passos meus

Da vida na estrada rude;

Lá, aprendi a virtude,

Minha mãi, nos labios teus.

Olha como ella se inclina

Pela esmeralda do monte,

Molhando os pés n’uma fonte

De agua fresca e crystallina!

Olha como ella domina

Esses serros alcantís,

Com seus ares senhorís,

Com seu cofre de diamantes,

No meio de seus amantes

Distribuindo rubis…

Salve, Athenas tão risonha

Da verde e saudosa Minas,

Raïnha destas collinas

Que banha o Jequitinhonha,

Teu vassallo. Elle nem sonha

Quebrar teu jugo real,

E vem a um leve signal

Com seus rubis, com seu ouro,

Derramar no teu thesouro

O seu tributo annual.

Feliz quem no seio teu

O sôpro da Providencia

Faz brotar a intelligencia,

Pérola fina do céo!

Como da noite no véo

Faz mil pérolas fulgir,

Tu tens, ó rival de Ophir,

Outras joias, outros brilhos;

Teu thesouro são teus filhos,

Tua glória é seu porvir!

Seu porvir, sim, que amanhece

Lá nos longes do futuro;

Não o meu, que um fado escuro

De negros fios só tece.

Patria! tudo me fallece

Para erguer teu esplendor:

Mas do pobre trovador

Terás o obolo pobre,

No peito um coração nobre,

Na lyra um canto de amôr.

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Por su autor
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La Biblioteca

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Expediente

Autor
Aureliano Lessa
Título
A’ Diamantina (I)
Lengua
portugués
Época
Romanticismo
Sala
La Biblioteca
Identificador
ws-pt-a-diamantina-i--aureliano-lessa-1602d3
Cita recomendada
Aureliano Lessa, «A’ Diamantina (I)», Poetósfera, poetosfera.com/p/ws-pt-a-diamantina-i--aureliano-lessa-1602d3.html

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