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Tomás Pinto Brandão · Ilustración

Que pretende a fermosura

portugués

;MOTE
Que pretende a fermosura
Cuidando que se eterniza,
Se viu a minha Belisa
Ir parar na sepultura?

;GLOSA
Já a meu sentir e a meu ver
a que ontem, a meu cegar,
vivia para matar
morre hoje para viver.
Esta que a seu parecer
era uma viva pintura
já de morte cor figura
na minha mágoa a contemplo.
Não sei com tão claro exemplo
que pretende a fermosura.

Na vivente primavera,
quando mais disposta a vi,
por maravilha entendi
que perpétua ser pudera;
foi engano e foi quimera
da minha afeição precisa.
E quanto esta morte avisa
no desengano que dá
a toda a que em flor está
cuidando que se eterniza!

Hoje arrancada por si
no exemplo que em folha dá
a todas dizendo está:
aprended flores de mi.
Eu com lágrimas o li
e entendo no bem que avisa
que a que mais se fertiliza
dela só pode aprender,
porque não tem mais que ver
se viu a minha Belisa.

Alerta, pois, divindades
desmentidas em mulheres,
que caducam por prazeres
na melhor flor das idades.
As pompas e as majestades
que o mundo vos assegura
são mentiras e é loucura
não crer na mais verdadeira
que é, acabando a carreira,
ir parar na sepultura.

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Por su autor
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Expediente

Autor
Tomás Pinto Brandão
Título
Que pretende a fermosura
Lengua
portugués
Época
Ilustración
Sala
La Biblioteca
Identificador
ws-pt-que-pretende-a-fermosura--tomas-pinto-brandao-46971e
Cita recomendada
Tomás Pinto Brandão, «Que pretende a fermosura», Poetósfera, poetosfera.com/p/ws-pt-que-pretende-a-fermosura--tomas-pinto-brandao-46971e.html

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