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Machado de Assis · Modernismo

O Sofá

portugués

Oh! Como é suave os olhos
Sentir de gozo cerrar,
Sobre um sofá reclinado
Lindos sonhos a sonhar,
Sentindo de uns lábios d’anjo
Um medroso murmurar!

Um sofá! Mais belo símbolo
Da preguiça outro não há...
Ai, que belas entrevistas
Não se dão sobre um sofá,
E que de beijos ardentes
Muita boca aí não dá!

Um sofá! Estas violetas
Murchas, secas como estão
Sobre o seu sofá mimoso,
Cheirosas, vivas então,
Achei um dia perdidas,
Perdidas: por que razão!

Talvez ardente entrevista
Toda paixão, toda amor
Fizesse ali esquecê-las...
Quem não sabe? sem vigor
Estas flores só recordam
Um passado encantador!

Um sofá! Ameno sítio
Para colher um troféu,
Para cingir duas frontes
De amor num místico véu,
E entre beijos vaporosos
Da terra fazer um céu!

Um sofá! Mais belo símbolo
Da preguiça outro não há...
Ai, que belas entrevistas
Não se dão sobre um sofá,
E que de beijos ardentes
Muita boca aí não dá!

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Autor
Machado de Assis
Título
O Sofá
Lengua
portugués
Época
Modernismo
Sala
La Biblioteca
Identificador
ws-pt-o-sofa--machado-de-assis-12da50
Cita recomendada
Machado de Assis, «O Sofá», Poetósfera, poetosfera.com/p/ws-pt-o-sofa--machado-de-assis-12da50.html

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