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Auta de Souza · Modernismo

Na capellinha

portugués

NA CAPELLINHA

Nessa idade para que

Se reza... (saberei eu?)

A gente reza porque

Tambem se reza no Céo.

E ella, tão meiga e pura,

Que não conhecia o mal,

E que guardava a ventura

No coração virginal;

Em sua fé de creança

Ingenua e cheia de amor,

Talvez pedisse a esperança

Para os que vivem na dôr.

Talvez tivesse gemidos

Para quem vive a chorar,

Para os que vagam perdidos

Nas frias ondas do mar.

E emquanto o labio querido

Orava piedoso assim,

Do negro olhar commovido

O pranto rolou por fim.

E deslisaram sem calma

As bagas por sua tez

No desconsolo de um’alma

Que chora a primeira vez.

Su’alma santa onde moram

A Luz, a Innocencia e o Bem,

Pedindo pelos que choram

Foi soluçando tambem.

E comprehendendo o segredo

D’aquella doce emoção,

Eu disse baixinho, a medo,

Fallando ao meu coração:

Bemditos nós que soffremos

Varados por magua atroz...

Emquanto assim padecemos

Os anjos pedem por nós.

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Por su autor
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Dónde vive
La Biblioteca

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Expediente

Autor
Auta de Souza
Título
Na capellinha
Lengua
portugués
Época
Modernismo
Sala
La Biblioteca
Identificador
ws-pt-na-capellinha--auta-de-souza-5a8233
Cita recomendada
Auta de Souza, «Na capellinha», Poetósfera, poetosfera.com/p/ws-pt-na-capellinha--auta-de-souza-5a8233.html

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