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PoetósferaLa BibliotecaFrancisco de Sá de Meneses, 1.º Conde de Matosinhos

Francisco de Sá de Meneses, 1.º Conde de Matosinhos · Renacimiento

Ja não posso ser contente (Francisco de Sá de Meneses)

portugués

Mote

JA não posso ser contente:

Tenho a esperança perdida!

Ando perdido entre a gente;

Nem morro, nem tenho vida.

Glosa

A tudo quanto desejo

Acho atalhadas as vias;

Em tentos e fantasias

Mui mao caminho me vejo.

Se do passado e presente

O porvir se pode crer,

Ja não ha que pretender:

Ja não posso ser contente.

Que de tudo quanto quero

Chego a tam triste estremo

Que vejo tudo o que temo

E nem sombra do que espero.

Desengano-me da vida

E fiz nella tal mudança

Que até de ter esperança

Tenho a esperança perdida.

Cuidei um tempo que havia

Na fortuna o que buscava,

E postoque o não dava,

O mesmo tempo o daria.

Achei tudo diferente,

Fiquei desencaminhado,

E como em despovoado,

Ando perdido entre a gente.

De que farei fundamento

Pois em nada acho firmeza

E pago sempre em tristeza

Os sonhos do pensamento?

Abrande esta dôr crecida

Vivendo em pena de morte,

E eu, por não mudar a sorte,

Nem morro nem tenho vida.

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Autor
Francisco de Sá de Meneses, 1.º Conde de Matosinhos
Título
Ja não posso ser contente (Francisco de Sá de Meneses)
Lengua
portugués
Época
Renacimiento
Sala
La Biblioteca
Identificador
ws-pt-ja-nao-posso-ser-contente-francisco-de-sa-de-men--francisco-de-sa-de-meneses-1-8a4f42
Cita recomendada
Francisco de Sá de Meneses, 1.º Conde de Matosinhos, «Ja não posso ser contente (Francisco de Sá de Meneses)», Poetósfera, poetosfera.com/p/ws-pt-ja-nao-posso-ser-contente-francisco-de-sa-de-men--francisco-de-sa-de-meneses-1-8a4f42.html

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