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Tomás António Gonzaga · Romanticismo

II — XI

portugués

Se acaso não estou no fundo Averno,
Padece, ó minha Bela, sim, padece
O peito amante e terno
As aflições tiranas que aos precitos
Arbitra Radamanto em justa pena
Dos bárbaros delitos.

As Fúrias infernais, rangendo os dentes,
Com a mão escarnada não me aplicam
As raivosas serpentes,
Mas cercam-me outros monstros mais irados:
Mordem-se sem cessar as bravas serpes
De mil e mil cuidados.

Eu não gasto, Marília, a vida toda
Em lançar o penedo da montanha
Ou em mover a roda,
Mas tenho ainda mais cruel tormento:
Por coisas que me afligem, roda e gira
Cansado pensamento.

Com retorcidas unhas agarrado
Às tépidas entranhas não me come
Um abutre esfaimado,
Mas sinto de outro monstro a crueldade:
Devora o coração, que mal palpita,
O abutre da saudade.

Não vejo os pomos, nem as águas vejo,
Que de mim se retiram quando busco
Fartar o meu desejo;
Mas quer, Marília, o meu destino ingrato
Que lograr-se não possa, estando vendo
Nesta alma o teu retrato.

Estou no Inferno, estou, Marília bela;
E numa coisa só é mais humana
A minha dura estrela:
Uns não podem mover do Inferno os passos;
Eu pretendo voar, e voar cedo,
À glória dos teus braços.

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Por su autor
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Expediente

Autor
Tomás António Gonzaga
Título
II — XI
Lengua
portugués
Época
Romanticismo
Sala
La Biblioteca
Identificador
ws-pt-ii-xi--tomas-antonio-gonzaga-bcbc8f
Cita recomendada
Tomás António Gonzaga, «II — XI», Poetósfera, poetosfera.com/p/ws-pt-ii-xi--tomas-antonio-gonzaga-bcbc8f.html

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