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Tomás António Gonzaga · Romanticismo

I — XXII

portugués

Muito embora, Marília, muito embora
Outra beleza que não seja a tua
Com a vermelha roda, a seis puxada,
Faça tremer a rua;

As paredes da sala aonde habita
Adorne a seda, e o tremó dourado;
Pendam largas cortinas, penda o lustre
Do teto apainelado;

Tu não habitarás palácios grandes,
Nem andarás nos coches voadores;
Porém terás um Vate que te preze,
Que cante os teus louvores.

O tempo não respeita a formosura,
E da pálida morte a mão tirana
Arrasa os edifícios dos Augustos
E arrasa a vil choupana.

Que belezas, Marília, floresceram
De quem nem sequer temos a memória!
Só podem conservar um nome eterno
Os versos ou a história.

Se não houvesse Tasso, nem Petrarca,
Por mais que qualquer delas fosse linda,
Já não sabia o mundo, se existiram
Nem Laura, nem Clorinda.

É melhor, minha Bela, ser lembrada
Por quantos hão de vir sábios humanos,
Que ter urcos, ter coches e tesouros
Que morrem com os anos.

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Por su autor
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Dónde vive
La Biblioteca

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Expediente

Autor
Tomás António Gonzaga
Título
I — XXII
Lengua
portugués
Época
Romanticismo
Sala
La Biblioteca
Identificador
ws-pt-i-xxii--tomas-antonio-gonzaga-56aa31
Cita recomendada
Tomás António Gonzaga, «I — XXII», Poetósfera, poetosfera.com/p/ws-pt-i-xxii--tomas-antonio-gonzaga-56aa31.html

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