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PoetósferaLa BibliotecaAntonio Pereira da Costa Jubim

Antonio Pereira da Costa Jubim · Modernismo

Gentil infante, innocente

portugués

Gentil infante, innocente,

Por que ledo assim sorris?

Oh! quem foi que docemente

Sobre os labios de rubis

Te imprimio com ternura

Doce beijo de candura?

Contas n’um riso a ventura

Que tua voz bem não diz.

Sentiste algum niveo braço

Unir-te ao seio d’amor

Por mui terno, estrito laço,

Com materno almo fervor?

Com doce, innocente inleio

Repoisaste em casto seio

De meiguices, d’amor cheio

Tua face de candor?

Como brincas, innocente?

Como estendes a mão-sinha,

Como pareces contente

P’ra quem meigo t’acarinha?

Tua vida é só folgar,

De collo em collo a pular;

Todos te vem afagar

Como a mui tenra pombinha.

Meu anjo, por que sorris

Esse riso tão do céo?

Como á innocencia condiz

Esse divo sorrir teu!

Oh! troquemos nossa vida —

A minha, aos gozos fugida,

Pela tua, não vivida,

Por teu sorriso sem véo.

És tenro, lindo botão

De mui linda branca rosa,

Vives no seu coração,

É comtigo venturosa:

Cresce, cresce, linda flôr,

E que nunca o dissabor

Sobre ti verta o pallor

Da sorte desventurosa.

Em manhã fagueira e bella

Seja o teu desabrochar,

Venha a doce philomela

Os teus dotes decantar;

Possas tu bem conhecer

Do mundo o vero prazer;

Que não vejas fenecer

Teus encantos, teu gozar.

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La Biblioteca

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Autor
Antonio Pereira da Costa Jubim
Título
Gentil infante, innocente
Lengua
portugués
Época
Modernismo
Sala
La Biblioteca
Identificador
ws-pt-gentil-infante-innocente--antonio-pereira-da-costa-jub-95724b
Cita recomendada
Antonio Pereira da Costa Jubim, «Gentil infante, innocente», Poetósfera, poetosfera.com/p/ws-pt-gentil-infante-innocente--antonio-pereira-da-costa-jub-95724b.html

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