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PoetósferaLa BibliotecaJoão Correia Manuel Aboim

João Correia Manuel Aboim · Romanticismo

Duas estrelas

portugués

No céu recamado de luzes sem fim

Tenho uma luzinha, que um anjo me deu:

Librada no espaço, distante de mim,

Ha outra, que é delle, tam triste, como eu.

Nas horas mais tardas das noites d’estio,

Eu vi as luzinhas, ouvi-as fallar;

D’anil entre as aguas do patrio meu rio

Seu fogo mil vezes lhes vi retratar.

De noite, nas fragas lascadas dos mares,

Senti a tormenta na rocha bramir;

Fitei os meus olhos n’um céu de safiras

E a estrella eu vi delle p’ra mim a sorrir.

Seu fogo divino, que assim m’inspirava,

Por vezes brilhante nos céus fulgurou;

Mas nuvem maldita que os ares toldava

P’ra sempre a meus olhos seu fogo occultou.

Vaguei depois disso nos campos sósinho,

Nem mais vi a estrella que anjo me deu;

Sentei-me nas rochas, andei sobre mares

Fugiu-me dos olhos, perdida no céu.

Perdi nesta vida viver inspirado,

Findou-me de vate celeste condão,

O mundo bradou-me com bafo gellado

Na terra que habitas é tudo illusão.

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La Biblioteca

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Autor
João Correia Manuel Aboim
Título
Duas estrelas
Lengua
portugués
Época
Romanticismo
Sala
La Biblioteca
Identificador
ws-pt-duas-estrelas--joao-correia-manuel-aboim-84d076
Cita recomendada
João Correia Manuel Aboim, «Duas estrelas», Poetósfera, poetosfera.com/p/ws-pt-duas-estrelas--joao-correia-manuel-aboim-84d076.html

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