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Antero de Quental · Modernismo

Desesperança (Antero de Quental)

portugués

Vai-te na aza negra da desgraça,
Pensamento de amor, sombra d'uma hora,
Que abracei com delírio, vai-te, embora,
Como nuvem que o vento impele... e passa.

Que arrojemos de nós quem mais se abraça,
Com mais ancia, á nossa alma! e quem devora
D'essa alma o sangue, com que vigora,
Como amigo comungue á mesma taça!

Que seja sonho apenas a esperança,
Enquanto a dor eternamente assiste.
E só engano nunca a desventura!

Se era silêncio sofrer fora vingança!..
Envolve-te em ti mesma, ó alma triste,
Talvez sem esperança haja ventura!

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Dónde vive
La Biblioteca

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Autor
Antero de Quental
Título
Desesperança (Antero de Quental)
Lengua
portugués
Época
Modernismo
Sala
La Biblioteca
Identificador
ws-pt-desesperanca-antero-de-quental--antero-de-quental-863603
Cita recomendada
Antero de Quental, «Desesperança (Antero de Quental)», Poetósfera, poetosfera.com/p/ws-pt-desesperanca-antero-de-quental--antero-de-quental-863603.html

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