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Machado de Assis · Modernismo

Condão

portugués

Uns olhos me enfeitiçaram,
Uns olhos... foram os teus.
Falaram tanto de amores
Embebidos sobre os meus!

Eram anjos que dormiam
Dessas pálpebras à flor
Nas convulsões palpitantes
Dos alvos sonhos de amor.

Foi à noite... hora das fadas;
Bem lhes sentira o condão;
Mas refletiam tão puras
Os sonhos do coração!

Como ao sol do meio-dia
Dorme a onda à flor do mar,
Eu dormi, — pobre insensato,
Ao fogo do teu olhar...

Pobre, doida mariposa,
Perdi-me... — pecados meus!
Na chama que me atraía,
No fogo dos olhos teus.

Venci protestos de outrora,
Moirei no teu alcorão,
E vim purgar nesses olhos
Pecados do coração.

Pois bem hajam os teus olhos,
Onde um tal condão achei:
Doido inseto em torno à chama,
Todo aí me queimarei.

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Expediente

Autor
Machado de Assis
Título
Condão
Lengua
portugués
Época
Modernismo
Sala
La Biblioteca
Identificador
ws-pt-condao--machado-de-assis-3406a3
Cita recomendada
Machado de Assis, «Condão», Poetósfera, poetosfera.com/p/ws-pt-condao--machado-de-assis-3406a3.html

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