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Pedro de Calasans · Romanticismo

As flores de laranja

portugués

Cada flôr tem de certo varia sorte,

Tem diverso condão:

Ha flores para a vida e para a morte,

Que dizem sim, ou não.

Ha flores para as maguas da anciedade,

Para os sonhos de amor,

Ha flores para as scismas da saudade,

Ha tambem para a dor.

Ha flores que só vingam no chão frio

Da fria sepultura,

Borrifadas das lagrimas a fio

Que chora a desventura.

Ha flores que só crescem no retiro

De amiga solidão ;

Uma flor diz um ai, outra um suspiro,

Todas têm seu condão.

Esta vai perfurmar as lindas jarras

Dos altares radiantes ;

Aquella ser de amor propicias arrhas

No peito dos amantes.

Alli—campeia altiva uma fronte

Do bravo que venceu;

Acolá—sobre a face bella, insonte,

Da virgem que morreu.

Além—sobre os degráos do capitolio,

Nos penetraes da gloria ;

Aquem—cobrindo o desditoso espolio,

De um genio, e a sua historia !

Cada flor tem de certo varia sorte,

Tem diverso condão:

Ha flores para a vida e para a morte,

Que dizem sim, ou não.

Mas de todas as flores mais felizes,

As que têm melhor sina,

Não são as rosas, nem jasmins, nem lizes,

Nem d’halias, nem bonina.

As flores de laranja mais ditosas

Que as outras flores são :

Tem mais poesia, tem ! São mais cheirosas,

Tem mais inspiração !

As flores de laranja se entrelaçam,

Na virginal capella !

De perfume suavissimo repassam

O seio da donzella !

Das essencias de amor sublime extracto

Sublime é o condão seu :

Fel-as Deus para honrar o doce pacto

Do sagrado hymeneu.

Por isso eu amo a flor de laranjeira

Da donzella na coma,

Ou então quando a brisa passageira

Me traz seu doce aroma.

Amo a flor de laranja, quando a avisto

N’um seio de mulher !

Quando a noite me toma de inprevisto,

Ou d’alva o rosicler.

Amo-a, quando a donzella meiga a esfolha

Em pura distração,

Ou com o pranto dos olhos seus a molha,

Abrindo o coração.

No teu album, portanto, eu quiz as flores

De laranja depor :

Synthese bella de ideaes amores,

Dos amores a flor.

E a tua mão, formosa Therezinha,

Que mil graças esbanja,

Aceite a triste, a pobre offerta minha

De flores de laranja.

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Por su autor
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Expediente

Autor
Pedro de Calasans
Título
As flores de laranja
Lengua
portugués
Época
Romanticismo
Sala
La Biblioteca
Identificador
ws-pt-as-flores-de-laranja--pedro-de-calasans-418a4f
Cita recomendada
Pedro de Calasans, «As flores de laranja», Poetósfera, poetosfera.com/p/ws-pt-as-flores-de-laranja--pedro-de-calasans-418a4f.html

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