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PoetósferaLa BibliotecaFrancisco Adolfo Coelho

Francisco Adolfo Coelho · Modernismo

A romãzeira do macaco

portugués

— Arranca a tua oliveira
para crescer a minha romãzeira.

— Não estou para isso.

— Justiça, prende o homem
para que arranque a oliveira,
para crescer a minha romãzeira.

— Não estou para isso.

— Rei, tira a vara à justiça
para ela prender o homem,
para ele arrancar a oliveira,
para crescer a minha romãzeira.

— Não estou para isso.

— Rainha, põe-te de mal com o rei
para ele tirar a vara à justiça,
para ela prender o homem,
para ele arrancar a oliveira,
para crescer a minha romãzeira.

— Não estou para isso.

— Rato, rói as fraldas à rainha
para ela se pôr de mal com o rei,
para ele tirar a vara à justiça,
para ela prender o homem,
para ele arrancar a oliveira,
para crescer a minha romãzeira.

— Não estou para isso.

— Ó gato come o rato
para ele roer as fraldas à rainha,
para ela se pôr de mal com o rei,
para ele tirar a vara à justiça,
para ela prender o homem,
para ele arrancar a oliveira,
para crescer a minha romãzeira.

— Não estou para isso.

— Ó cão morde o gato
para ele comer o rato,
para ele roer as fraldas à rainha,
para ela se pôr de mal com o rei,
para ele tirar a vara à justiça,
para ela prender o homem,
para ele arrancar a oliveira,
para crescer a minha romãzeira.

— Não estou para isso.

— Pau, bate no cão
para o cão morder o gato,
para ele comer o rato,
para ele roer as fraldas à rainha,
para ela se pôr de mal com o rei,
para ele tirar a vara à justiça,
para ela prender o homem,
para ele arrancar a oliveira,
para crescer a minha romãzeira.

— Não estou para isso.

— Lume, queima o pau
para ele bater no cão,
para o cão morder o gato,
para ele comer o rato,
para ele roer as fraldas à rainha,
para ela se pôr de mal com o rei,
para ele tirar a vara à justiça,
para ela prender o homem,
para ele arrancar a oliveira,
para crescer a minha romãzeira.

— Não estou para isso.

— Ó água, apaga o lume
para ele queimar o pau,
para ele bater no cão,
para o cão morder o gato,
para ele comer o rato,
para ele roer as fraldas à rainha,
para ela se pôr de mal com o rei,
para ele tirar a vara à justiça,
para ela prender o homem,
para ele arrancar a oliveira,
para crescer a minha romãzeira.

— Não estou para isso.

— Ó boi, bebe a água
para ela apagar o lume,
para ele queimar o pau,
para ele bater no cão,
para o cão morder o gato,
para ele comer o rato,
para ele roer as fraldas à rainha,
para ela se pôr de mal com o rei,
para ele tirar a vara à justiça,
para ela prender o homem,
para ele arrancar a oliveira,
para crescer a minha romãzeira.

— Não estou para isso.

— Carniceiro, mata o boi
para ele beber a água,
para ela apagar o lume,
para ele queimar o pau,
para ele bater no cão,
para o cão morder o gato,
para ele comer o rato,
para ele roer as fraldas à rainha,
para ela se pôr de mal com o rei,
para ele tirar a vara à justiça,
para ela prender o homem,
para ele arrancar a oliveira,
para crescer a minha romãzeira.

— Não estou para isso.

— Ó morte, leva o carniceiro
para ele matar o boi,
para ele beber a água,
para ela apagar o lume,
para ele queimar o pau,
para ele bater no cão,
para o cão morder o gato,
para ele comer o rato,
para ele roer as fraldas à rainha,
para ela se pôr de mal com o rei,
para ele tirar a vara à justiça,
para ela prender o homem,
para ele arrancar a oliveira,
para crescer a minha romãzeira.

— Não me leves
que eu mato o boi.

— Não me mates
que eu bebo a água.

— Não me bebas
que eu apago o lume.

— Não me apagues
que eu queimo o pau.

— Não me queimes
que eu bato no cão.

— Não me batas
que eu mordo o gato.

— Não me mordas
que eu como o rato.

— Não me comas
que eu roo as fraldas à rainha.

— Não me roas as fraldas
que eu ponho-me de mal com o rei.

— Não te ponhas de mal comigo
que eu tiro a vara à justiça.

— Não me tires a vara
que prendo o homem.

— Não me prendas
que eu arranco a oliveira.

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Autor
Francisco Adolfo Coelho
Título
A romãzeira do macaco
Lengua
portugués
Época
Modernismo
Sala
La Biblioteca
Identificador
ws-pt-a-romazeira-do-macaco--francisco-adolfo-coelho-b0c31f
Cita recomendada
Francisco Adolfo Coelho, «A romãzeira do macaco», Poetósfera, poetosfera.com/p/ws-pt-a-romazeira-do-macaco--francisco-adolfo-coelho-b0c31f.html

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