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PoetósferaLa BibliotecaJosé Bonifácio de Andrada e Silva

José Bonifácio de Andrada e Silva · Romanticismo

A Primavera (José Bonifácio)

portugués

JÁ do Ether fugio ventoso Inverno,

E da florida Primavera a hora

Purpurea rio: de verde herva mimosa

A Terra denegrida se corôa.

Bebem os prados já liquido orvalho,

Com que medrão as plantas, e festejão

Os abertos botões das novas rosas.

Com os asperos sons da frauta rude

Folga o Serrano, o Pegureiro folga

Com os alvos recentes cabritinhos.

Já sulcão Nautas estendidas ondas;

E Favonio innocente as vélas boja.

As Menades, cubertas as cabeças

Da flor d'hera, tres vezes enrolada,

Do uvifero Baccho Orgias celebrão:

A geração bovina das abelhas

Seus trabalhos completa; já produzem

Formoso mel; nos favos repousadas

Candida cera multiplicão. Cantão

Por toda a parte as sonorosas Aves;

Nas ondas o Alcyão, em torno aos tectos

Canta a Andorinha; canta o branco Cysne

Na ribanceira, e o Rouxinol no bosque.

Se pois as plantas ledas reverdecem;

Florece a Terra; o Guardador a frauta

Tange, e folga co′as maçans folhudas;

Se Aves gorgeião; se as Abelhas crião;

Navegão Nautas; Baccho guia os choros:

Porque não cantará também o Vate

A risonha, a formosa Primavera?

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La Biblioteca

Expediente

Autor
José Bonifácio de Andrada e Silva
Título
A Primavera (José Bonifácio)
Lengua
portugués
Época
Romanticismo
Sala
La Biblioteca
Identificador
ws-pt-a-primavera-jose-bonifacio--jose-bonifacio-de-andrada-e-5b24e2
Cita recomendada
José Bonifácio de Andrada e Silva, «A Primavera (José Bonifácio)», Poetósfera, poetosfera.com/p/ws-pt-a-primavera-jose-bonifacio--jose-bonifacio-de-andrada-e-5b24e2.html

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