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Maria Adelaide Fernandes Prata · Modernismo

A mãe que abandona o filho recem nascido

portugués

Podeste ó mãe cruel abandonar

O filhinho que à pouco era em teu seio,

Banil-o de teus braços, n'uma estrada,

A'mercé dos que passam ir arrojal-o?!

Não tremeste insensivel! Na tu'alma.

Não te acusou a voz da natureza?!

Lá dentro não sentiste o amor subido,

Esse amor privativo só de mae?

Não te pulsou mais forte o coração?

Não te estalou de dôr o peito insano

E deslisar dos olhos não sentiste

O pranto, quando o filho comtemplaste?

Olha as féras terriveis como animam

Os filhinhos que ao peito seu conchegam!

E tu sendo mulher, tornaste um mons!ro

Peor que o tigre féro, ou que o leão!

Da natureza horror! Desdouro eterno.

Da raça que o senhor formou humana!

P'ra teu erro encobrir, expões sem dó

O pobre innocentinho a incerta sorte!..

Queres que mãe adoptiva vá prestar-lhe

Os carinhos que a sua lhe negou?!

Ah! Corre, arrependida, vae tomal-o

Nos braços e depois ufana, ao mundo

Apresenta-o sem pejo que esse nome

De filho t'endemnisa da vergonha

Que sentes por não ter um pae que dar-lhe.

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Por su autor
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Dónde vive
La Biblioteca

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Expediente

Autor
Maria Adelaide Fernandes Prata
Título
A mãe que abandona o filho recem nascido
Lengua
portugués
Época
Modernismo
Sala
La Biblioteca
Identificador
ws-pt-a-mae-que-abandona-o-filho-recem-nascido--maria-adelaide-fernandes-pra-feb704
Cita recomendada
Maria Adelaide Fernandes Prata, «A mãe que abandona o filho recem nascido», Poetósfera, poetosfera.com/p/ws-pt-a-mae-que-abandona-o-filho-recem-nascido--maria-adelaide-fernandes-pra-feb704.html

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