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Machado de Assis · Modernismo

A Augusta

portugués

Em teu caminho tropeçaste — agora!
Cala esse pranto, minha pobre flor.
Caída mesmo — tropeçando embora,
Conserva a alma um último pudor.

Deve ser grande esse martírio lento...
Já nos espinhos a minha alma pus;
Sou como um Cireneu do sofrimento;
Deixa-me ao menos carregar-te a cruz.

Eu sei medir as lágrimas vertidas
Na sombra e só sem uma mão sequer!
Vês tu as minhas pálpebras doridas?
Têm chorado talvez por ti, mulher!

É fraqueza chorar? chorei contigo;
Que a mesma nos banhou de luz
Como em mim um pesar profundo e antigo
No falar dessa fronte se traduz!

Sei como custa desfolhar um riso
Em face às turbas, que o senti por mim,
Ver o inferno e falar do paraíso,
Sentir os golpes e abraçar Caim!

Chorei, que prantos! Prometeu atado
Ao rochedo da vida e sem porvir!
Poeta neste século infamado
Que mata as almas e condena a rir.

Cansei, perdi aquela fé robusta
Que como a ti, nos sonhos me sorriu;
Na identidade do calvário, Augusta,
Bem vês como o destino nos mentiu!

Ergue-te pois! A redenção agora
Dá-te mais viço, minha pobre flor!
Se tropeçaste no caminho embora!
Na tua queda é-te bordão — o amor!

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Expediente

Autor
Machado de Assis
Título
A Augusta
Lengua
portugués
Época
Modernismo
Sala
La Biblioteca
Identificador
ws-pt-a-augusta--machado-de-assis-6cf086
Cita recomendada
Machado de Assis, «A Augusta», Poetósfera, poetosfera.com/p/ws-pt-a-augusta--machado-de-assis-6cf086.html

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